Nossa guerra epistemológica

19.10.2020

Meu amigo italiano do sistema acadêmico me enviou apontamentos extremamente importantes sobre como censura, deplantação e a cultura do cancelamento são implementados no sistema educacional global, no campo filosófico.
Aqui está a tradução de suas oportunas observações:

Censura, deplantação[1] e cancelamento de Hegel e propaganda de Schopenhauer.
Censura, deplantação e cancelamento de linguistas científicos/históricos (Saussure, Devoto) e propaganda de linguagem analítica (Russel, Chomsky, Kim).
Submissão da filosofia à psicologia com abordagem analítica e censura de tudo o que se desviar desse caminho
Censura, deplantação e cancelamento de Platonismo político.
Censura, deplantação e cancelamento do Empiricismo e domínio absoluto do racionalismo.
Todo tipo de idealismo e historicismo é censurado.
Censura, deplantação e cancelamento da semiótica, gnoseologia e propaganda exclusiva da filosofia análtica e sua epistemologia psicológica.
Censura, deplantação e cancelamento da lógica dialética e propaganda exclusiva da lógica biunívoca.
Marginalização e destruição de todas as abordagens de ciências sociais positivas (Frazer, Weber, Durkheim, Simmel, De Martino, Eliade). A única ciência humana aceita é a “antropologia cultural” (sem estrutura ou história).
Censura, deplantação, cancelamento e eliminação de todo estruturalismo, historicismo e entendimentos das ideias como fenômeno do pensamento com bases histórico-sociais, e a propaganda epistemológica de uma psicologia analítica sem história ou estrutura, com a filosofia como seu serviçal.
Censura, deplantação e cancelamento da fenomenologia.
Censura, deplantação e cancelamento da correlação entre evolução do pensamento e história da arte por um lado, e diferenças culturais e lugares levados em conta por sua evolução no tempo.
Imposição radical e autoritária de modelos sem história ou estrutura, psicologização em todas as formas de cultura e sociedade com a filosofia subjacente como serva. Expulsão totalitária e forte censura de toda a crítica e deslegitimação de perspectivas alternativas (atitude puramente totalitária).
Censura, deplantação e cancelamento de toda correlação possível entre ideias, história, estruturas sociais, espaços geográficos e temporalidade histórica. Somente o indivíduo da filosofia analítica é permitido.

Esta é uma descrição precisa da essência totalitária presente na epistemologia globalista e liberal. Eu reconheço nesta lista – na parte da censura – todos os meus livros, palestras, textos, cursos e conferências. Em mais de 60 livros escritos, tenho consequentemente defendido e desenvolvido:

“Idealismo” tradicionalista – híper-idealismo, culminando na teoria do Sujeito Radical.
Platonismo Político.
Estruturalismos variados.
Independência da filosofia de perversões individualistas e psicologia materialista com defesa paralela da psicologia fenomenológica e psicologia profunda (com atenção particular para Gilbert Durand).
Semiótica e semântica (Propp, Greimas).
Sociologia de Durkheim, Simmel, Scheler e Sombart (com atenção especial a Dumezil e Louis Dumont).
Lógica dialética baseada numa abordagem retórica da consciência.
Fenomenologia aplicada à máxima extensão dos campos científicos e estudos – culturas, povos, sociedades e civilizações.
Análise comparativa (anti-hierárquica) das civilizações aceitando seu pluralismo ontológico, “espacialidades” e temporalidades.

Também posso mencionar:

Defesa radical e releitura atenta de Heidegger.
Reavaliação positiva de Aristóteles.
Defesa de todos os tipos de neoplatonismo, de Plotino a Proclo até Areopagita, John Scott Eriugena, Dietrich von Freiberg, Eckhart, Paracelso, Bohme e filosofia religiosa russa (Sofiologia).
Política eurasiana (a primordialidade da estrutura – elemento Terra Schmitteano).
Reabilitação da teologia e religião contra o ateísmo.

Eu simplesmente abomino a filosofia analítica e positivismo racional, além de considerar o materialismo, individualismo e abordagem analítica da consciência como formas de doença mental.
Creio ser suficiente para compreender porque sou chamado por eles de “o mais perigoso filósofo do mundo”. E isso explica perfeitamente todos os cancelamentos, deplantações, demonizações, marginalização, caricaturas, criminalização e o resto do qual sou vítima.
Isso é uma guerra epistemológica.
Os globalistas vão perder. Seu sistema educacional deve ser derrubado e destruído. O que eles promovem é veneno mental completo. Mas deplorar o fato não é o bastante, devemos nos levantar, resistir, revoltar e lutar por cada milímetro de espaço epistemológico.
[1] Também conhecido como deplatforming, é uma forma de ativismo político que serve para retirar alguém ou algum movimento do debate, negando seu acesso a meios de manifestar suas opiniões e apresentar projetos. Isso vem ocorrendo frequentemente com o filósofo Aleksandr Dugin, que teve várias das suas redes sociais derrubadas, além da proibição sobre a venda de seus livros em ambientes como a Amazon.